
Conciliação bancária com extrato OFX e IA: o financeiro batendo com o banco sem conferir linha por linha
Todo mês é a mesma cena: o extrato impresso de um lado, o financeiro do sistema do outro, e alguém marcando com caneta cada PIX que entrou, procurando de qual cliente era e qual título ele pagou. Quando são dez lançamentos, tudo bem. Quando são duzentos, com PIX de clientes, tarifas, débito automático do cartão e a aplicação automática do banco mexendo no saldo todo dia, a conferência vira um dia de trabalho, e o que escapa só aparece depois, como cliente cobrado de algo que já pagou.
Neste artigo você vai ver o que é conciliação bancária, por que conferir à mão cansa e falha, e como a nova tela Conciliação Bancária (OFX) do ERP Sistema RAM importa o extrato do banco, acha sozinha o título de cada lançamento e, para o que sobra, pede ajuda à inteligência artificial.
O que é conciliação bancária
Conciliar é confirmar que cada entrada e cada saída do extrato está registrada no financeiro da empresa, e o contrário: que o que o sistema diz que foi recebido ou pago passou mesmo pelo banco. No fim, o saldo do caixa no sistema precisa bater com o saldo do banco.
Parece burocracia, mas é o que garante três coisas: contas a receber certas (ninguém é cobrado do que já pagou), contas a pagar certas (nada é pago duas vezes) e números confiáveis para decidir, como os da DRE e do fluxo de caixa.
Por que conferir à mão cansa (e falha)
- O extrato não diz qual título foi pago: o banco mostra "PIX RECEBIDO" e o CPF ou CNPJ de quem pagou. Descobrir o cliente, achar o título e conferir o valor é trabalho de detetive, linha por linha.
- Valores que quase batem: o cliente pagou com alguns reais de juros, ou com desconto, ou pagou só metade. Cada caso exige uma decisão.
- Lançamentos que não têm título: tarifa do pacote de serviços, IOF, débito automático, aplicação e resgate automáticos. Todo mês alguém lança de novo, do mesmo jeito.
- Retrabalho: importar de novo o mesmo período, ou conferir o que já tinha sido baixado pelo retorno do banco, gera duplicidade se não houver controle.

O que é o arquivo OFX
OFX é o formato padrão de extrato eletrônico que os bancos oferecem no internet banking, às vezes com o nome "Money" ou "Quicken". Ele traz cada lançamento com data, valor e histórico, do jeito que aparece no extrato. É ele que o Sistema RAM lê: o cliente baixa o arquivo no site do banco e importa no ERP, sem digitar nada.
O leitor aceita as duas versões do formato e os jeitos diferentes que cada banco usa para gravar valor e data. E reimportar o mesmo mês não duplica nada: o sistema reconhece as linhas que já entraram, mesmo quando o banco gera o arquivo de novo com outros códigos.
A Conciliação Bancária no Sistema RAM
A tela fica no menu Financeiro. Na primeira importação, o sistema pergunta qual caixa do ERP é aquela conta do banco; daí em diante, reconhece sozinho. Em seguida, cada linha do extrato aparece com uma sugestão do que ela é no financeiro, e uma cor.

| Situação | Quando aparece | Vem marcada? |
|---|---|---|
| Achou | O CPF/CNPJ do PIX é de um cliente que tem um título em aberto com o mesmo valor. | Sim |
| Regra | O histórico tem o texto de uma regra (por exemplo, TARIFA ou APLICACAO). | Sim |
| Já lançado | A baixa já existe no caixa, com a mesma data e o mesmo valor. A linha só é ligada a ela. | Sim |
| Conferir | Mais de um título possível, várias parcelas pagas juntas, ou valor um pouco diferente (juros ou desconto). | Não |
| Diferença grande | Mesmo cliente, mas a diferença passa da tolerância definida pela empresa. | Não |
| Sugestão IA | A inteligência artificial sugeriu o que fazer com uma linha que estava sem par. | Não |
| Sem par | Nada foi encontrado. O usuário escolhe o título, lança, transfere ou ignora. | Não |
Como o sistema acha o título
- Pelo CPF ou CNPJ do PIX: o sistema encontra o cliente no cadastro e procura os títulos em aberto dele. Se o valor bate com um título, a linha fica verde. Se bate com a soma de parcelas, por exemplo um PIX que pagou duas parcelas de uma vez, ela aparece para conferir.
- Pelo valor e pela data: quando o histórico não traz documento, como num boleto pago, o sistema procura título do mesmo valor com vencimento perto da data do banco.
- Pelo que já foi baixado: se a baixa já foi feita à mão, pelo retorno do banco ou pela conciliação do PIX, a linha é só ligada a ela, sem gravar nada de novo.
- Pelas regras do histórico: "quando o histórico tiver TARIFA, lance em Despesas Financeiras"; "quando tiver APLICACAO, transfira para o caixa de aplicação". As regras são da empresa e valem todo mês.
Importe o extrato e veja o que já está pronto para conciliar
Títulos achados pelo CPF/CNPJ do PIX, regras que se repetem todo mês e sugestão da IA para o resto, tudo com a data do banco.
Conciliar com um clique, com a data do banco
- 1Confira as verdes. Elas já vêm marcadas: o sistema achou o par com segurança.
- 2Resolva as amarelas e as vermelhas. Troque o título (dá para marcar várias parcelas), lance o que não tem título, transfira entre caixas ou ignore o que não deve ir para o financeiro.
- 3Clique em "Conciliar marcados". A confirmação mostra quantas baixas, lançamentos e transferências vão ser feitos. A data de pagamento é sempre a data do banco, e a baixa vai para o caixa daquela conta.
- 4Abra o relatório. Entradas e saídas do extrato comparadas com as baixas do caixa no ERP, o que ficou pendente e o que foi feito, por quem e quando. Também sai em Excel.
Quando o valor não bate
Se o cliente pagou um pouco a mais ou a menos, dentro da tolerância que a empresa define (10% por padrão), a diferença entra sozinha como juros ou desconto. Acima disso, o sistema não decide pelo usuário: mostra o valor em aberto, o valor do banco e a diferença, e pergunta o que fazer.

A escolha fica registrada no log do usuário. E se algo foi conciliado errado, o botão Desfazer conciliação volta a linha para pendente: tira só as baixas que a conciliação fez e cancela os títulos que ela criou, sem mexer no que já existia antes.
Onde a IA entra
Depois das regras e do CPF/CNPJ, sobram as linhas que ninguém reconhece de primeira: um boleto de energia, um débito de seguro, uma entrada sem documento. O botão Sugerir sem par com IA manda só essas linhas para a inteligência artificial, junto com o plano de classificações financeiras da empresa, os caixas e os títulos em aberto de valor parecido. Ela devolve, para cada linha, o que fazer: baixar um título, lançar numa classificação, transferir para outro caixa ou ignorar, com o nível de confiança e o motivo.
- Você confere antes: a sugestão da IA aparece em amarelo e nunca vem marcada. Nada é gravado sem o usuário marcar e confirmar.
- Sem dado sensível: o CPF/CNPJ e números de conta são retirados do histórico antes de enviar; no lugar do documento vai o nome do cliente encontrado no cadastro.
- A IA ensina as regras: depois de conciliar, o sistema oferece guardar o que a IA sugeriu como regra do histórico. Na próxima importação, aquela conta de energia já aparece verde, sem nem precisar da IA.

É aí que está a economia de tempo: o primeiro mês ensina, os seguintes já chegam quase todos verdes. A conferência deixa de ser procurar e passa a ser só revisar.
Aplicação automática e transferências
Muitas contas empresariais aplicam a sobra do dia automaticamente e resgatam quando falta dinheiro. No extrato, isso vira dezenas de linhas de "aplicação" e "resgate" por mês, que não são receita nem despesa. Na conciliação elas viram transferência entre o caixa da conta corrente e o caixa de aplicação, do mesmo jeito que a transferência do Financeiro grava. Com uma regra, isso acontece sozinho todo mês, e o saldo dos dois caixas bate com o banco.
Perguntas frequentes
Funciona com qualquer banco?
Funciona com o extrato OFX, que os bancos oferecem no internet banking. A conta do arquivo é ligada a um caixa do ERP na primeira importação.
E se eu importar o mesmo extrato duas vezes?
As linhas que já foram importadas são puladas, mesmo que o banco gere o arquivo de novo. Dá para importar o mês inteiro sempre que quiser.
O sistema baixa os títulos sozinho?
Não. Ele sugere, e as linhas que achou com segurança já vêm marcadas, mas só grava quando você clica em "Conciliar marcados" e confirma.
A IA tem acesso aos dados dos meus clientes?
Só ao necessário para sugerir: data, valor, histórico sem CPF/CNPJ e sem número de conta, o nome do cliente encontrado, o plano de classificações, os caixas e alguns títulos de valor parecido. E ela só é chamada quando você clica no botão.
Errei uma conciliação. E agora?
Use "Desfazer conciliação": a linha volta para pendente, as baixas feitas pela conciliação saem e os títulos criados por ela são cancelados. Nada do que já existia é alterado.
Quem pode usar a tela?
Quem tiver a liberação "Conciliação Bancária (OFX)" no cadastro de usuários. A tela tem o "Como usar" dentro do próprio sistema, com o que é cada coluna e cada cor.
Conclusão
Conciliação bancária é das tarefas que mais tomam tempo no financeiro e das que menos podem ser feitas pela metade. Com o extrato OFX, a busca do título pelo CPF/CNPJ do PIX, as regras do histórico e a IA cuidando do que sobra, ela deixa de ser um dia de caneta e calculadora e vira uma revisão.
No Sistema RAM, tudo isso fica numa tela só, ligada ao financeiro que a empresa já usa: as baixas com a data do banco, os lançamentos que faltavam, as transferências e o relatório que mostra se o caixa bate com o banco. Se quiser conhecer o restante do financeiro, veja também o PIX integrado ao PDV e a análise do preço de venda.
Deixe o extrato e o financeiro baterem sozinhos
Importação do OFX, sugestão de cada título, IA para o que sobra e o relatório extrato x caixa, no mesmo ERP.